Quando as luzes se vão e as estrelas no céu são as únicas testemunhas do nosso amor, tudo aquilo que é doce e intenso se desfaz ao nascer do sol.
É um novo dia.
O meu amor acabou?
O que sobrou de nós? Nada.
Só a lua para nos lembrar, toda noite antes de deitar ou um fantasma no meio da madrugada.
Meu egoísmo insano para nos consumir, e a culpa de saber que eu escolhi ter você.
Em troca do quê? À troco do quê? Eu te sacrifiquei pelo meu bel-prazer. Eu só queria te ter.
Nunca foi nobre, muito longe do puro; beira o absurdo. Te ter, te querer.
A inveja do altruísta que conseguiria, com tanta euforia, decidir o correto.
É mais do que certo que tudo vivido não foi tempo perdido, mas o que há de bonito não dá para se ver.
Sua dor e apatia só provam que a fantasia de longo tempo existia apenas para nos proteger.
Nem o brilho dos olhos, ou o calor do teu corpo, teu mel em minha boca, serão esquecidos.
Ainda assim, teus carinhos, teu lindo sorriso e os fortes abraços que me foram dados com tanta inocência não foram suficientes para essa cobra voraz, gigante e faminta que é o meu desejo.
Apartai-me o medo. Medo de um dia te perder.